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Congresso Nacional de Gestalt-terapia 2020 (que aconteceu em 2021 por conta da pandemia de CONVID-19)24/11 – 28/11 online

24/11 – Abertura

Homenagem a Walter Ribeiro, gestalt-terapeuta que abre minha página no Facebook com a frase “a terra não exige da semente que ela seja o que não é”, foi um lindo até logo a esse profissional tão importante para nossa abordagem.

Uma atividade cultural calorosa, sempre presente em nossa abordagem.

Conferência de abertura com nosso amado Jorge Ponciano, uma fala tocante serena e ampliadora de nossas fronteiras, como sempre, característica de Ponciano.

Para fechar a noite um clipe de tirar o fôlego, “Rito de Passá”

25/11 – A partir daqui falarei somente das minhas participações diretas no congresso, pq foram tantas coisas grandiosas, que eu não daria conta de descrever tanta coisa maravilhosa. Nesse dia eu tinha a minha primeira roda de conversa, como a pessoa maravilhose Paulo Barros do Instituto Gestalt de Roraima (@igt_rr). Roda de conversa: Ser-LGBTTQI+-no-mundo 

Abrimos a roda provocando u/a/os participantes a compartilhar o que os levou a nos ouvir, a querer estar ali conversando a respeito desta temática. Depois passamos o clipe de flutua.

Falamos sobre as particularidades de cada letra no complexo universo LGBTQIA+, Paulo trouxe sua linda e potente fala a respeito da criança transviada. A mesa foi fechada com uma poesia do livro ANTOLOGIA Trans: 30 poetas Trans, travestis e não-binários, o poema se chama “Meu coração”. Que eu não vou colar aqui por não ter pedido prévia autorização para mídias de grande alcance.

Como essa mesa foi a primeira, eu acabei não tirando nenhuma foto :(, e como também não solicitei autorização no momento da mesa, mesmo que eu consiga uma foto depois, não postaria em um site sem tal autorização, mas fica aqui registrado meu carinho a cada um que esteve presente na mesa.

26/11 – Terceiro dia de congresso, segundo de trabalhos.

Minha segunda roda de conversa, dessa vez com minha orientadora Mônica Alvim, “O Ser-mulher na contemporaneidade: mulher como “o outro” e o Ser-mulher”. As rodas de conversa tem 1h30min de duração, preparei uma longa explanação a respeito da invenção da categoria mulher desde Galeno, a ideia de sexo único, chegando ao sexo incomensuravelmente diferente, os atravessamentos sociopoliticos envolvidos, o lugar da corporificação nisso tudo…

Para aquecer o grupo trago um texto de Conceição Evaristo que peguei na internet:

Eu-mulher (Conceição Evaristo).

Uma gota de leiteme escorre entre os seios.

Uma mancha de sangueme enfeita entre as pernas

Meia palavra mordidame foge da boca.

Vagos desejos insinuam esperanças.

Eu-mulher em rios vermelhosinauguro a vida.

Em baixa vozviolento os tímpanos do mundo.

Antevejo.

Antecipo.

Antes-vivo

Antes – agora – o que há de vir.

Eu fêmea-matriz.

Eu força-motriz.

Eu-mulherabrigo da semente

moto-contínuodo mundo.

In: Poemas da recordação e outros movimentos (Editora Malê)

Depois li parte de minha dissertação de mestrado:

1        [Trans]Existência: gesticulações políticas de resistência.

O orgulho de ser estranha!

Tertuliana Lustosa[1],on line, 2017.

            A frase da epígrafe deste capítulo foi dita pela estudante de História da Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no evento “Puta Dei”, realizado pelo Instituto de Medicina Social (IMS), durante uma apresentação performática em que a travesti se despe de suas roupas e seus documentos. Tertuliana (2017) fica nua e gradativamente vai expondo documentos relativos à sua trajetória de transição, entre eles estão: seu trabalho de cordel, a logo de uma lata de leite – não leite materno ou de vaca, mas leite de travesti – leite que é retirado de seus próprios seios, devido ao uso de hormônios femininos em seu processo de trânsito. Tertuliana também expõe sua certidão de nascimento, e nela sua regionalidade Piauiense, seus cartões de consulta ao Hospital Pedro Ernesto, e chama atenção para o caráter patologizante destes documentos. Chegando a mostrar também um oficio que diz ser um direito da artista ser tratada pelo seu nome social, denunciando um paradoxo, pois no mesmo documento ela é tratada pelo nome civil.

            Tertuliana (2017) está nua, seu nu parece constranger, porém a ela são esses paradoxos e processos patologizantes que constrangem, agridem, marginalizam. Sua denúncia é explícita, a academia desnuda a questão trans, porém o nu trans constrange. A pergunta que a travesti faz ao começar sua performance é: “O que a hegemonia pode fazer pela diferença? “


[1] Tertuliana Lustosa: 19 anos, baiana de Salvador, performer do Coletivo Seus Putos, universitária da UERJ, professora de História da Arte no PreparaNem, travesti.

  A partir daí… nada mais ocorre como o planejado… TODAS as mulheres ali presentes tinham uma experiência para compartilhar, de dor, de violência, e elas foram se acolhendo, se identificando, se reconhecendo, e o tempo passou rapidamente novamente eu fechei com uma poesia do livro ANTOLOGIA Trans chamada “BRILHA”. Mas essa tem foto e foi autorizada.

Muito obrigada!

A noite teve uma mesa… mas essa eu vou fazer um post separado 🙂

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