Gestalt Terapia / Reflexões / Sexualidade

Sexualidade e corpo.

 

sistemas-do-corpo-humano

“O corpo dirige-se intencionalmente ao mundo e é parte fundamental para a “aparição” do mundo, ou seja, como discutimos, o corpo é um campo perceptivo-párico que dota a existência de um sentido de possibilidade, a partir de seu engajamento no mundo.”

Alvim, M

A sexualidade está impressa em nossos corpos e o corpo está para além do componente físico, com seus sistemas,  o corpo atua no mundo e o mundo atua no corpo, ou seja, não está alheio a historicidade e reflete aspectos do simbólico, do político e das relações culturais da construção da sexualidade. (Caridade, A. 1999; Bordo, S. 1997; Foucaut, M, 1988)

Diversos autores denunciam o “

” pelo qual nossa sociedade vem passando, em nome de um padrão mercadológico de perfeição ditado por um sistema capitalista, como se assim como nas fábricas, o corpo pudesse ser fabricado em escalas, muitas vezes sem perceber, entramos nesse jogo e buscamos insensatamente atender a demanda do mercado. Como se não tivéssemos tempo para pensarmos o que de fato queremos, como nossos corpos estão em sua melhor forma, como nosso funcionamento físico-químico atua melhor, o que importa é que entremos na calça de padronagem “eurochinesa”, mesmo que esse biotipo seja completamente diferente do latino.

Hoje não mais queimamos mulheres em fogueiras, mas nem por isso deixamos de condená-las, atualmente as comprimimos em roupas extremamente pequenas nas quais muitas parecem “fechadas a vácuo”, para os homens o sistema não é menos cruel, o uso indiscriminado de anabolizantes faz com que muitos abdiquem de seu prazer sexual diante a possibilidade prognostica de impotência que essas substâncias podem ocasionar para terem corpos dignos de heróis da literatura lúdica dos quadrinhos de ação.

“A sexualidade do indivíduo também vai sendo comprimida para caber nesses regras e em outras como: “tem que gozar”, “tem de ter tesão”, “tem que gostar de sexo”. Essa sexualidade assim enquadrada, obediente, não terminará cabendo também num tamanho P?”  

Caridade, A.  

O que Caridade nos clama atenção em seu texto de 1999, é que estamos também criando uma indústria do sexo, em que ser “bem resolvido”, “desencanado” é a palavra de ordem, é a NORMA. Não é permitido não curtir, “tem que…”, e lá vamos nós novamente para a tirania, ao massacre de gênero que ainda hoje assistimos diariamente, sem pensar a subjetividade, a historicidade, a autonomia…

A sexualidade é corporificada em toda esfera do significado do corpo, não podemos perder de vista questões culturais, históricas e políticas, a sexualidade passa pelo corpo e reivindica dele seu direito a existência e expressão de significação que ultrapasse a norma e transgrida a relação de sentido dado.

Referências bibliográficas

  1. Alvim, M. B. A poética da experiência. Ed. Garamond, Rio de Janeiro, 2014.
  2. Caridade, A. A construção cultural da sexualidade. In: Ribeiro, M (Org.), O prazer e o pensar. Ed. Gente, São Paulo, 1999.
  3. Foucaut, M. Historia da sexualidade: a vontade de saber. Vol 1. Ed. Graal, São Paulo, 1988.
  4. Jaggar, A. & Bordo, S. Gênero, corpo e conhecimento. Ed. Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, 1997.

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