Congressos / Gestalt Terapia

Participação no XIV Congresso Internacional de Gestalt-Terapia 30.MAI.2015

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Captura de Tela 2015-04-08 às 19.46.17O terceiro dia de congresso teve em seu primeiro Horário um Fórum Interativo comigo, Flavia Silva e a publicitária e gestalt-terapeuta Adriana Wilbert Marreiros, confira abaixo o que rolou nesse dia:

De 9h – 11h

Nossa sala foi aberta com o tema livre A Gestalt visita igrejas inclusivas: testemunhos de fiéis homossexuais e suas mães, com o terapeuta Filipe Miranda Pereira que falou sobre a religiosidade atravessando a questão da orientação sexual, como fiéis homossexuais interagem com seus familiares no âmbito religioso. Uma rica narrativa sobre a fala desses sujeitos e suas mães.

IMG_0791Na sequência eu e Adriana Wilbert Marreiros falamos no fórum interativo, Transexualidade x (trans)Invisibilidade: a possibilidade dinâmica da awareness de sujeitos patologizados pelo binarismo e mutilados para invisibilizar. Nossa fala começa trazendo a tona questões de identidade de gênero e papeis sócio-sexuais:

“…os papéis de gênero são pré-definidos socialmente e a identidade de gênero é uma escolha pessoal construída pelo próprio sujeito.”

Marreiros, 2014.

Há de fato espaço para livre expressão? Essa foi uma das provocações do trabalho. Segue o resumo que foi submetido para o congresso na integra.

Transexualidade x (Trans)Invisibilidade: a possibilidade dinâmica da awareness de sujeitos patologizados pelo binárismo e mutilados para invisibilizar.

Marreiros, Adriana W[1]

Silva, Flavia F[2] 

Resumo

A relevância desse trabalho se fez presente na fala de L, filósofa e mulher transgênero, que denunciou durante a II Transemana do Rio de Janeiro o quanto que muitos sujeitos trans estão atualmente se submetendo a cirurgia resignificadora completa para atender a demanda social, ou para atender aos anseios de seus familiares, fato esse que nos leva a pensar na mutilação de corpos com objetivo de manter uma lógica binária de masculino e feminino. Mais adiante pretendemos explanar sobre as possibilidades de se manter em um lugar de transito, onde o “ser masculino ou feminino” perde o sentido diante o Ser humano que pretende estar além do binarismo, em um lugar onde o passeio, o trânsito, seja permitido, o estar awareness com sua expressão sexual sem que a norma seja imposta.

Essa nos parece ser uma reinvindicação de sujeitos invisibilizados em nome de uma norma moralizadora, para que tenham a possibilidade de vivenciar de maneira plena sua awareness sem que sejam patologizados pelo estado em nome de uma moral social.

Não se pretende aqui discutir se há por parte desses sujeitos extremo sofrimento e dor causados por uma inadequação entre sexo genético e fenotípico, porém questionamos a imposição de um tratamento que não leva em consideração a subjetivação de cada individuo que busca auxilio para esse sofrimento em si. Assim como um paciente que tem para sua moléstia uma gama de soluções de tratamento e que junto com seu médico de confiança busca optar pela melhor possibilidade o que se pretende com o sujeito trans é buscar a linha de ressignificação que melhor atenda seus anseios pessoais e não as angústias sociais que se preocupam em “realocar” rapidamente essa pessoa no outro lado do binarismo homem x mulher.

Percebemos nessa questão, fértil campo contemporâneo de uma realidade que coloca o profissional de psicologia em cheque diante o diálogo que se trava entre sociedade, estado e individuo trans numa profunda discussão acerca do “corpo, contato e awareness”.

[1] Publicitária (Veiga de Almeida) e Psicóloga clínica (Celso Lisboa), Pós-graduanda em Gestalt-terapia e Terapia de Casal e Família (IPGL).

[2] Psicóloga clínica, (Uni IBMR), Pós-graduada em sexualidade humana (Uni IBMR) e Pós-graduanda em Gestalt-terapia (IPGL), especialista em Psicologia nas Organizações – Prática em Gestão de Pessoa (UERJ). Participação em projetos de valorização da cidadania, sexualidade saudável e contracepção.

De 11 – 13h

Estive no fórum interativo: A psicoterapia Breve na abordagem gestáltica: discutindo preconceitos, ministrado pelo Ênio Brito Pinto. O autor trouxe a tona mitos que permeiam a psicoterapia breve e suas possibilidades, chamou atenção para o fato de que mesmo com a terapia em consultório tendo se encerrado o processo terapêutico sempre continua, isso podemos perceber nas mais diferentes abordagens, assim como, deu destaque para o fato de que a terapia breve tem um roteiro e um arcabouço teórico que permite seu manejo de maneira a se alcançar o crescimento e o desenvolvimento do cliente/paciente.

Nessa mesma sala ficamos para o tema livre de Jean-Marie Delacroix, que falou sobre O poder da consciência no processo terapêutico.  Delacroix nos convidou a pensar e vivenciar o estado de vibração que ocorre quando estamos abertos e disponíveis para o outro, estando consciente do que se passa nessa relação, sinaliza que o que há de mais importante no processo terapêutico é essa relação (terapeuta-cliente), por tanto como terapeutas precisamos pensar e entender essa relação.

Pensar essa escuta que acontece com todo o meu corpo, sem elaborar apenas sentindo. A relação vai se passar no emocional e da consciência desse emocional. É nessa relação, nesse espaço, que os mecanismos repetitivos vão se atualizar e teremos consciência dessa atualização nos quatro níveis de consciência: sensorial, emocional, cognitivo e social.

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“Eu sinto na minha experiência o que você traz e podemos juntos sentir no continuum da consciência.” Delacroix, 2015

De 15h – 17h

Na volta do almoço entramos na sala onde ocorreu o tema livre de Lilian Meyer Frazão,  Maturidade do terapeuta e teoria paradoxal da mudança. Frazão abriu sua mesa nos inserindo em um ambiente acolhedor de bate-papo, em que a troca de experiências foi o carro chefe. A construção dessa rica conversa foi em cima da simplicidade como verdadeiro caminho para a humanidade do terapeuta e o quanto gastamos energia tentando ser o que não somos, permitir que a presença do cliente/paciente seja mais que si, mas também um co-terapeuta não só enriquece o trabalho como o potencializa como o dono de si e de sua verdade.

E assim encerramos o dia, com essa linda e “autorizadora” conversa com essa grande gestalt-terapeuta.

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