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A Gestalt-terapia e os transtornos alimentares

 

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Alimentação-SaudávelAtualmente as redes sociais estão sendo bombardeadas com uma nova onda em nome da saúde, as já condenadas fotos de pratos gastronômicos, hoje são acompanhadas de legendas que explicitam o quanto tal prato é saudável, com produtos orgânicos, baixo valor calórico, alto valor nutricional e próprio para cada momento do dia. As discussões sobre o que deve ou não entrar nos rótulos de produtos industrializados, se são transgênicos ou não. Até a cerveja entrou nessa roda e hoje muitas pessoas preferem consumir somente as que não tem milho em sua composição para ter alguma garantia de que não estão consumindo transgênicos sem saber.

Claro que todo esse movimento é válido sobre vários aspectos, principalmente de saúde, e até político, mais e mais pessoas aderem a alimentação vegetariana e vegana com intuito de diminuir o consumo de animais, denunciando a crueldade que muitos bichos passam, para que os mercados tenham um determinado volume de carne a preços competitivos.

Junto desse movimento tem a crescente geração fitness, que combina essa preocupação com a alimentação, com os exercícios físicos, para chegar ao objetivo de ter corpos saudáveis, o que é outra coisa muito boa, manter exercícios na rotina é recomendado pelos médicos de uma maneira geral, melhora as condições do organismo globalmente, porém todo movimento corre o risco de escambar para o exagero, e chegar a margem de um transtorno grave que pode levar a morte.

Vivemos também um momento em que o culto ao corpo, e não qualquer corpo, mas ao corpo magro é valorizado, desejado e o antagonista deplorado e ridicularizado, sem se levar em conta o peso real, as condições orgânicas de cada sujeito, como se cada pessoa não tivesse uma composição física única, e dessa maneira, para cada uma dessas pessoas, saúde não é diretamente ligado a estar com um determinado peso ou porte físico. A única maneira de saber se estamos saudáveis é nos olhar de maneira inteira, tanto fisiológica quanto emocionalmente, e sim, ter um corpo magro pode ser um sintoma de uma pessoa que está existindo de maneira doente.

 Os transtornos alimentares demandam prevenção e tratamento, segundo Nunes, Bueno e Nadir (2001), em casos de resistência ao tratamento pelo menos 15% dos pacientes morrem, 25% chegam a formas crônicas do transtorno e em todos os casos há complicações, de ordem metabólica, psicológica, entre outras. É mais presente nas mulheres, sendo 20 vezes mais frequente neste grupo, e seus acometidos tem idade média de 18 anos.

“Trata-se de um dos transtornos do comportamento que mais matam no mundo – seja por desnutrição, problemas cardíacos e até mesmo suicídio. Na maioria dos casos, a pessoa com  o transtorno não se considera doente, recusando, portanto, qualquer tratamento, mesmo com surgimento de comorbidades. (Nunes & Holanda, 2008)”

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  Anorexia Nervosa

Na anorexia nervosa, ocorre medo exagerado em ganhar peso, “a pessoa vivencia o peso ou a forma do corpo de maneira perturbada” (Nunes & Holanda, op. cit), caracteriza-se pela redução ou perda do apetite, aderem a dietas altamente restritivas, uso abusivo de medicamentos inibidores de apetite, laxantes, diuréticos e outros. Sentem-se obesos, mesmo que seus corpos estejam  extremamente emagrecidos, com presença de forte medo de engordar. É comum que pessoas com esse transtornos se foquem tanto na dieta que passem a ter grande interesse em alimentação, e suas vidas giram em torno da dieta e de contagem de calorias. Podem existir quadros psiquiátricos associados.

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DA2Bulimia Nervosa

Ocorre consumo exagerado de alimentos em pequenos intervalos, chamados de episódios bulímicos, há uma perda do controle da alimentação, normalmente estão relacionados a fome, muitas vezes provenientes de períodos em que o sujeito esta fazendo algum tipo de doença, mas logo evoluem para quadro compulsivo podendo ocorrer devido a sentimentos de angústia, ansiedade, frustração, tristeza etc.

Logo após o momento de crise algumas medidas compensatórias são comumente tomadas, como indução de vômito e uso medicamentos abusivo como laxantes, enemas, diuréticos e outros. Apresentam várias complicações médicas associadas, principalmente devido a indução de vômitos e assim como na anorexia nervosa pode haver quadros psiquiátricos associados.

Tratamento Gestalt-terapeutico

A Gestal-terapia como uma abordagem fenomenológica existencial tem sua visão de homem baseada no fenômeno de existir, levando em conta toda subjetividade humana, o potencial de crescimento, de auto-regular-se do sujeito e em seu potencial criativo para que essa auto-regulação seja realizada. Dessa maneira qualquer doença é vista como uma forma de ajuste a uma situação que vem sendo experienciada de maneira ruim, Nuner & Holanda (op cit), ressaltam:

“O ser humano tende a se auto-regular para melhor se adaptar às suas relações com seu meio circundante. Porém, nem sempre a auto-regulação dá conta de todas as situações, tornando-se necessário que a pessoa faça “algo mais”. Esse “algo mais” é o ajustamento criativo.”

A construção de cada um no mundo passa por diversas etapas de auto-regulação e muitas vezes a doença é um sintoma, para esta abordagem, de um ajustamento criativo que só encontrou possibilidade de se manter na relação desta maneira, essa doença passa a ser uma condição humana, ou seja, é uma condição de preservação de si por um caminho que não salienta a saúde mais fomenta a doença.

Por esse motivo precisamos ver esse sujeito de maneira inteira, sua maneira de estar em contato consigo e com o mundo, não isolando a doença. Levando todo esse sujeito em conta, temos que ter cuidado ao trata-lo, com a retirada do sintoma, que pode ser uma forma de suporte para lidar com as tensões do meio, deixamos esse sujeito sem defesas em um mundo que gera angústias, medos, frustrações etc. O melhor caminho é o contato com esse “modo doente”, para que com a tomada de consciência essa pessoa consiga criar novas formas de estar no mundo, de lidar com ele, tendo em si um novo suporte e aí sim mudar sua maneira de lidar com sua alimentação, com seu nutrir-se. O foco deve permear o “como”e não o “porque”, como esse sujeito esta no mundo, se relacionando com ele.

“Na terapia, o auto-suporte é desenvolvido gradativamente. O terapeuta, portanto, será um facilitador do processo gradual de passagem do apoio em suportes de outros para o reconhecimento e a criação de recursos próprios do indivíduo, para que possa, então, estabelecer contatos plenos.” (CARDELLA, 2002)

Conclusão

Toda e qualquer atitude, mesmo as que parecem inocentes e geradoras de saúde podem ser opressoras para algumas pessoas. Nesse momento que muito se discute sobre boatos nas redes sociais e suas conseqüências, todas as pessoas devem ter como ponto de partida o seu próprio bem estar, a sua maneira de vivenciar seu estar no mundo de maneira prazerosa e plena, não existe um padrão de bem estar, existem maneiras plurais e diversas de se ser.

Muito se fala em diversidade e tolerância, porém quando o assunto é o corpo, muitos dessa filosofia viram verdadeiros ditadores da balança e de medidas.

todos os corpos belos

Referências Bibliográficas

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