Bibliografia / Gestalt Terapia

Manutenção do Vínculo de amor entre amigos

“amizade
a.mi.za.de 

sf (lat amicitate1 Sentimento de amigo; afeto que liga as pessoas. 2Reciprocidade de afeto. 3 Benevolência. 4 Amor.

O dicionarista destaca o sentimento, afeto, reciprocidade, promoção de generosidade e finalmente amor. Vivemos um momento de grande promoção de individualidades, com relações voltadas para redes sociais virtuais, as demonstrações de carinho são traduzidos em ferramentas como “curtir”, gradações de amizade digital, troca de informações por meios como o Facebook, Instagran, whatsapp, e tantos outros. Hoje as pessoas compartilham seus hábitos de leitura, as músicas que estão ouvindo em tempo real, postam seu prato e o local onde estão comendo, e marcam todos que estão ali. Alguns nessas redes defendem que tais ferramentas aumentaram o contato de pessoas com as quais não o teriam, já outros, alegam que as relações ficaram superficiais. 

 

De acordo com matéria da revista Super Interessante o facebook conta com mais de 500 milhões de usuários que juntos chegam a navegar durante mais de 700 bilhões de minutos, e essa mesma matéria aponta para a facilidade do contato online, tanto nos mantendo ligados a amigos já conquistados, quanto na facilidade de novos serem adquiridos, e lançam a questão, esse fenômeno não estaria transformando nossas relações de sociabilização em hábitos de isolamento?

 

Uma pesquisa presidida por Joseph Grenny chama atenção para os desentendimentos online,  as brigas ideológicas, seja por post de piadas de cunho politicamente questionáveis, ou mesmo por posicionamentos divergentes mesmo.  

 

Na própria rede são lançadas imagens, chamadas de “meme”, que fazem criticas irônicas a respeito desses novos padrões de comportamento.

 

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Jogos foram criados para driblar o problema em encontros reais, como no caso de bares que criaram espaço nas mesas para que todos coloquem seus celulares, e a regra é que se alguém retirar o celular do bolo irá pagar a conta sozinho, ou ainda, locais que se recusam a colocar sinal wifi para fazer com que seus clientes interajam.

 

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“Na contemporaneidade, a desvairada velocidade da lógica produtiva do mercado capitalista globalizado é impressa no andar das pessoas apressadas cujos olhares evasivos e fugidios já não se cruzam, movidas pelo imperativo de sucesso particular a qualquer custo. Em tempos nos quais a economia capitalista engendra exaustivas cargas de trabalho que ampliam o tempo das tradicionais jornadas do trabalhador, cansando corpos, afastando as pessoas, dispersando amigos voltar a atenção para a intersubjetividade, para amizade, torna-se mais do que uma inegável urgência, representa a possibilidade de despertar e questionar modos de letargia.” Gomes, Lívia e Silva Junior, Nelson. 

Sob o ponto de vista psicológico a amizade pode ser colocada como uma relação multifacetada, e de complexa definição, muitas são as variantes que entram nessa “conta”, as pessoas tem os mais diferentes ciclos de amigos, podendo variar em numero, em níveis de intimidade, em interesses em comum ou até pessoas que tem amigos que seriam verdadeiros antagonistas de sua personalidade, desde que não venha a ferir seus códigos éticos e morais. 

 

Pessoas que se sentem amparadas em pequenos grupos e há as que precisam de um numero crescente de novas relações para se sentirem acalentadas. O que chama atenção é que em todas as fases do desenvolvimento humano a amizade tem grande importância, como apontam vários autores, desde a infância os amigos são fonte de suporte e enriquecimento afetivo, seja em momento de dor, ou mesmo na confraternização do final de semana, e como as configurações de amizades vão mudando de acordo com as novas realidades intimas de cada sujeito, conforme sua vida vai se configurando e reconfigurando, até o momento em que um grupo seleto de amigos ficam, e a eles alguns outros vão se somando.

Duck & Perlman (1985) chamam atenção para a dinamicidade que o desenvolvimento da amizade exige dos envolvidos, conhecidos podem ter questões situacionais que os transformem em grandes amigos, assim como, melhores amigos podem voltar a ser apenas conhecidos.

Gomes e Silva (2007) dão enfase ao contexto neoliberal que vem criando um clima de “individualismo e suas nefastas consequências nos sujeitos contemporâneos que mais do que nunca vivenciam extrema solidão mesmo em meio às multidões…” Todo esse cenário traz consigo traços ambíguos, de um lado a necessidade de manter contato, de ter ligações afetuosas com as pessoas e também a necessidade de que esses laços sejam frouxos e superficiais de maneira que não atrapalhe o ritmo alucinado da vida contemporânea, esse movimento é retroalimentado de um constante sentimento de insegurança em que apesar da necessidade de relacionar-se há também a desconfiança e o medo da entrega.

O que precisamos nos atentar é que o contato com outros, de maneira afetuosa, os laços de confiança são se extrema importância para o desenvolvimento de todo ser, são nessas relações que encontramos o suporte necessário para lidarmos com as situações adversas do dia-a-dia, é com esse grupo que nos rodeia que comemoramos as vitorias e alegrias. 

Retomar o caminho da confiança não nos deixará vulneráveis, pelo contrário é justamente nessa relação de troca que nos fortalecemos.

 

Saia da internet e vá ligar para um amigo e marcar um chopp, um cinema, ou só dizer a ele que você se importa!

Referências Bibliográficas

 

 

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