Bibliografia / Gestalt Terapia / Sexualidade

A intimidade pode ser aliada da individualidade.

A Gestalt Terapia fala do SER na relação no mundo, destacando a singularidade de cada existência, a responsabilidade de cada um no seu projeto existencial. Há grande influência do Humanismo nesta linha terapêutica, e este coloca o homem como centro de sua existência, no sentido de autogerir-se, mas marca também a presença do outro na formação desse Ser, já que  vê esse homem como ser dialogal.

O homem se funda no contato consigo e com o outro, no diálogo que faz com o encontro em si, de suas particularidades e também nesse encontro com o outro, e em alguns encontros a intimidade se estabelece. Messa (2009) pontua que a intimidade co-habita com a individualidade, porém é contrária ao individualismo.

A intimidade concede abertura para o convívio, para partilha, sendo esta uma via de mão dupla, permitir ao outro tomar parte e tomar parte do íntimo deste outro. Sem atropelos, sem invasões deste estar junto íntimo.

“A natureza do relacionamento íntimo é justamente aquela que promove o respeito e a apreciação pela individualidade do outro.” (Mendonça, 2013)

Segundo Masters e Johson o sujeito tem em sua vida a busca por relações íntimas satisfatórias.  Definem intimidade como sendo um processo em que “duas pessoas se importam uma com a outra e compartilham, o mais livremente possível, a troca de sentimentos, pensamentos e ações,”

intimidade

Esses dois teóricos da sexualidade humana destacam as complexidades das relações íntimas, como por exemplo, amigos que fazem atividades juntos e não são íntimos, ou ainda, sexo casual que tem por um momento intimidade sexual, porém sem as características de uma relação íntima de compartilhar.

Pontuam que para a relação íntima se estabelecer é necessário que haja auto-aceitação de si por parte dos envolvidos, ou seja, depende do que a pessoa pensa a respeito de si mesma, se ela não tem nenhuma entrave particular para poder compartilhar esse mundo íntimo com o outro. O que não quer dizer que precise que o sujeito seja totalmente feliz consigo para poder estabelecer relações íntimas.

“A pessoa que nunca olha para dentro (quer por medo, preguiça ou ódio de si mesma) tem autopercepções tão distorcidas, que é improvável que possa contribuir plenamente para um relacionamento” (Masters & johson, 1982)

intimidade3

Colocam também a importância de ter espaço nessa relação íntima, para si, para conhecer-se. Um relacionamento íntimo pouco preocupado com espaço para cada um pode desgastar-se.

Dessa maneira, apesar de a intimidade gerar bem estar e prazer, no estar com o outro, essa não é uma condição única e que não está passível de mudanças, ainda segundo esses autores, alguns componentes são básicos para o estabelecimento da intimidade:

  • importar-se
  • compartilhar confiança
  • dedicação
  • honestidade
  • empatia
  • e ternura

“Compartilhar pensamentos, sentimentos e experiências, que acompanham o crescimento da intimidade a fim de conhecerem um ao outro, exige tempo, uma convivência sem as barreiras comuns com as quais as pessoas protegem sua privacidade.” (Masters & Johnson, 1982)

privacidade

É necessário que se crie um vínculo de confiança e também de interesse recíproco para que ocorra a troca. Compartilhar preocupações e problemas também auxilia no crescimento da intimidade. Isso não significa que os parceiros precisem fazer tudo juntos, respeitar a individualidade faz parte desse processo de crescimento do afeto íntimo.

Giddens destaca a questão do limite, que este esteja claro, para que o relacionamento íntimo possa acontecer sem que um seja “absorvido pelo outro”, afirma que viver um relacionamento não quer dizer viver sem pensamentos particulares.

“A vida pessoal tornou-se um projeto aberto, criando novas demandas e novas ansiedades. Nossa existência interpessoal está sendo completamente transfigurada, envolvendo todos nós naquilo que chamarei de experiências sociais do cotidiano, com as quais as mudanças sociais mais amplas nos obrigam a nos engajar” (Giddens, 1992)

Conclui-se que o viver íntimo traz consigo prazer, desde que seja realizado em um ambiente propício, onde cada um possui a si, suas particularidades, sua individualidade, suas experiências próprias, e que ambos  sejam respeitados no desenvolvimento de seu “ser Eu” para que o compartilhar de experiências seja rico e traga satisfação e encontro.

intimidade2

Referências Bibliográficas

  • MENDONÇA, Marisete M. A Psicologia Humanista e a abordagem Gestáltica. In: FRAZÃO, Lilian M; FUZUMITSU, Karina, O. Gestalt-terapia Fundamentos Epstemológicos e Influências Filosóficas.Primeira Edição, São Paulo: Summus, 2013. Pag. 76 – 98.
  • MARSTERS, Willian H. & JOHNSON, Virginia E. KOLODNY, Robert C. O Relacionamento Amoroso; segredos do amor e da intimidade sexual. [Tradução: Helísa Gonçalveis Barbosa] Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1982.
  • GIDDENS, Anthony. A Transformação da Intimidade. Sexualidade, Amor e Erotismo nas Sociedades Modernas. [Tradução: Magda Lopes]. Ed. UNESP, São Paulo, 1992.
  • FRAZÃO, Lilian M; FUZUMITSU, Karina, O. Gestalt-terapia Fundamentos Epstemológicos e Influências Filosóficas.Primeira Edição, São Paulo: Summus, 2013.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s