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O amor como comportamento emocional

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“O pouco que nós sabemos sobre o amor não transcende a simples observações, e o pouco que nós escrevemos, tem sido melhor escrito pelos poetas e novelistas.” 

Harlow, 1958

Estudos a respeito do amor são extremamente recentes, Masters & Johnson atribuem isto ao fato de existirem muitas formas de amor, os mais diversos significados, Calvano aponta para suas características simbólicas, sociológicas e filosóficas, coloca o amor como algo que transcende, em alguns momentos, a linguagem metafórica e idealista dos poetas e romancistas. O fenômeno de união entre pessoas possui registros históricos em todas as civilizações.

Mas qual seria a origem do amor? Harlow em seu artigo, “The Nature of Love” (1958) , faz uma forte ligação entre o vínculo emocional que se cria entre o filho e os pais como sendo a origem do vínculo de todas as relações amorosas. Desta maneira o surgimento do amor ocorreria na mais tenra infância e esta relação marcaria toda vida amorosa do sujeito.

Harlow neste mesmo artigo fala sobre seu experimento com macacos e mães substitutas de arame e pano, mesmo sendo a mãe de arame a alimentar o filhote, este passa mais tempo com a mãe de pano, Harlow sinaliza que esta escolha ocorre devido ao conforto gerado pela mãe de pano, ele chama atenção também para o fato de que o alimento, mesmo sendo algo de suma importância para sobrevivência do filhote macaco, não é suficiente para mante-lo somente em uma mãe, tendo este filhote uma série de outras necessidades, dentre elas a de afeto e troca. A partir dessa ligação com a mãe várias respostas afetivas são geradas.

“No instante em que acontece o amor, simplesmente amamos.”

Ferreira, Nadiá Paulo, 2008.

Precisamos deixar claro aqui que ao falar em amor estamos falando na verdade de amores, são muitas as possibilidades de amar, e muito provavelmente essa característica multifacetada dificulta ainda mais o estudo deste fenômeno,

Bem, diante pesquisa de Harlow, podemos dizer que o sujeito aprende a amar na sua relação primeira, com os pais, e dependendo da qualidade desde amor, mais ou menos maduro será o amor futuro, o amor em que a relação com o outro se dá em vários aspectos: na vida a dois, na relação de desejo, no encontro subjetivo de indivíduos que se tornam 3 instâncias, o eu, o outro e o nós.

“O amor é uma função do amadurecimento humano. A criança necessita muito, porém, ainda não ama. Tem o potencial de desenvolver amor, que, se devidamente estimulado, brotará como uma flor; porém, se não for estimulado pelo meio ambiente, irá se deteriorar. Por isso, as pessoas imaturas necessitam, mas não amam. ” Amaro, 2006

Chegamos ai em um ponto de suma importância, Amaro destaca que o amor apesar de inato, depende do seu desenvolvimento, de como será estimulado para que ocorra de maneira satisfatória. Mais uma vez traz a questão de que é na relação primeira, que se aprende a amar, e que a qualidade desse amor irá dizer quem será esse amante no futuro. Algum leitor mais ansioso pode vir a questionar sobre a experiência de Harlow, e dizer que o filhote ama a mãe de pano e a de arame não, o que este último autor diz é que o sujeito prefere ter o aconchego da mãe de pano, que as sensações geradas por ela lhe dão prazer e é esse prazer que faz ele passar mais tempo com esta mãe, o alimento também traz prazer, o que indica que o prazer gerado pela situação que vamos chamar aqui de carinhosa, é necessitado por mais tempo que o prazer do alimento, saciada a fome o filhote volta a procurar a situação de aconchego e carinho.

Ferreira destaca que os mitos do amor são criações do próprio homem e que este almeja a utopia de uma especie de nirvana, chegar através do amor a um estado de plenitude e completude, que em nome dessa busca pode chegar a abdicar de seu “agora” e até chegar a cometer barbáries em nome de alcançar esse estado de amor.

Concluímos que o amor é desde seus primórdios desenvolvido na relação com o outro, e que a maneira de se sentir satisfeito nesta relação depende muito mais do amadurecimento pessoal e de como esse amor foi estimulado do que no que de fato o outro oferece a esta relação. A díade, eu e o outro só será uma tríade, eu, outro e nós, caso os envolvidos consigam permitir o devido espaço que o sentimento e o comportamento de amar exige.

Referências Bibliográficas

  • FERREIRA, Nadiá P. A Teoria do Amor, Ed. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2004. ISBN 85-7110-777-7
  • AMARO, Jorge W. F. Mal-estar e amor. Revista de Psiquiatria Clícica, São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832006000600007&lang=pt> Acesso em: 19 set. 2013.
  • FISHER, Helen E. Anatomia do Amor: a história natural da monogamia, do adultério e do divórcio. [Tradução: Magda Lopes e Maria Carbajal] Ed. Eureka, 1995.
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